O hoje multimilionário Robert Kotac aprendeu com seu pai a confiar mais nos carros do que nas pessoas:
Carros são muito mais sábios do que nós, seu pai dizia. O motor à explosão a quatro tempos, por exemplo. Admissão, compressão, explosão e escape. Todos os fatos históricos e toda a nossa vida, se você prestar atenção, obedecem a essa seqüência. Primeira e segunda guerras mundiais? Admissão, compressão, explosão e escape. Nossos casamentos? Admissão, compressão, explosão e escape. Até mesmo o ato sexual, gerador da vida, obedece a esse ciclo. Como vêem, nada escapa dessa maravilhosa lei.
Mas você pode reescrevê-la elegendo qualquer dos termos como o primeiro. Escape, admissão, compressão e explosão, por exemplo, também faz sentido. Afinal, às vezes, antes de algo maravilhoso acontecer em nossas vidas, nós nos sentimos horrivelmente vazios, como se tudo nos houvesse escapado. Então, um dia acordamos e sem que nada nos indique claramente, temos certeza de que chegou a hora de nos abrirmos para o mundo. É como um comando de válvulas interno.
A válvula de admissão se abre e os cilindros de nossas vidas começam a se encher de ar, junto com algo que, sem o percebermos de pronto, irá pegar fogo. O que? Ah, qualquer coisa. Aquela moça na nossa frente, na fila da padaria, e que deixa cair a carteira um pouco antes de se tornar nossa esposa. Ou aquela entrevista para emprego que perdemos, apenas para em seguida encontrarmos, no bar onde fomos encher a cara para esquecer, o velho amigo que se tornará nosso sócio pelas próximas três décadas.
Escape, admissão, compressão. E explosão. Que para Robert não tardou a acontecer.


